terça-feira, 29 de agosto de 2017

A inveja e as murmurações de Arão e Miriã

Texto Bíblico - Números 12:1,2

E falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cusita, com quem casara; porquanto tinha casado com uma mulher cusita.

E disseram: Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu.


Que o Senhor seja o motivo do nosso viver!

Há aqueles que se acham "os servos exclusivos" de Deus e que não suportam a ideia de serem meramente mais uma ovelha no aprisco de Nosso Senhor Jesus Cristo com todas as regalias do perdão e da salvação advindas da graça de Deus. 

Da inveja e das murmurações de Arão e Miriã contra a vida de seu irmão Moisés podemos aprender que Deus zela por aqueles que tem intimidade com a Sua pessoa e não aceita as acusações dos seus adversários. Era assim que os dois irmãos de Moisés estavam agindo, como pessoas que se opunham a ele, o acusando injustamente e usando até de uma desculpa religiosa para tal acusação.

Muitos reparam na reclamação que Arão e Miriã fizeram por causa da mulher cusita(etíope) que Moisés havia tomado, mas isso era apenas um pretexto para chamar a atenção de Deus. Não que eles zelassem pela lei do Senhor, dizendo que seu irmão tomou uma mulher estrangeira em vez de uma israelita. 

Era algo maior que eles visavam: a exclusividade que Moisés tinha diante de Deus como líder do Seu povo. Eles haviam se esquecido que também possuíam valor como servos de Deus, pois Arão fora escolhido para acompanhar Moisés como profeta e embaixador do Senhor para falar a palavra de Deus diante dos anciãos de Israel e também diante de Faraó do Egito(Êxodo 4;30; 5:1) e havia sido consagrado por Moisés ao ofício sacerdotal ao Senhor(Levítico 8). 

Já Miriã era considerada também uma profetisa e cantou o cântico de libertação junto a Moisés(Êxodo 15:20,21). Ambos haviam passados momentos vitoriosos na companhia de seu irmão Moisés e também puderam ser abençoados através da vida dele.

Os dois irmãos de Moisés foram participantes de todos os feitos do Senhor desde a saída do Egito, na travessia do Mar Vermelho e na peregrinação do deserto. Viram Deus operar maravilhas livrando o povo de Israel da escravidão e sustentando-o com alimentos e água durante a sua jornada, e ainda viram sinais da Sua glória em forma de nuvem.

Se exarminarmos as Escrituras e lermos o capítulo 11 de Números, o contexto já era de pura murmuração. Veremos ali o povo de Israel se queixando e falando coisas más diante de Deus, reclamando do maná que Deus enviara, tendo saudades das comidas do Egito e chorando por causa de carne, mas havia esquecido o seu tempo de escravidão e o grande livramento da parte de Deus em terra estrangeira. Isto era uma afronta e ingratidão dirigidas ao Senhor e muitos israelitas acabaram sucumbindo à ira de Deus.

Foi nesse ambiente rebelde e contestador que Arão e Miriã resolveram também se queixar diante de Deus. Não estavam satisfeitos da sua condição "secundária" como servos de Deus. Eles queriam aquilo que não era deles e nem para eles. Será que não bastava a posição privilegiada em que estavam? "Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós?" Ou tinham ciúmes de Deus com Moisés, ou sentiam inveja da maneira que Deus usava-o.

Eles não tinham a graça e a confiança que Deus depositara em Moisés para exercerem aquele tipo de liderança. Este era um homem de valor e considerado um homem muito manso. "E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra"(Números 12:3). O próprio Deus havia ouvido todo o queixume de Arão e Miriã contra Moisés e saiu em defesa do Seu servo:

"E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele.

Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa.

Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do Senhor; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?" (Números 12:6-8).

É verdade que Deus havia falado a muitos servos seus através de visões ou sonhos e podemos destacar alguns nome como o de Abraão, Jacó e José que tinham grande intimidade com Deus. Já com Moisés não era assim, pois havia alcançado um grande testemunho de fidelidade na casa do Senhor.  Hebreus 3:2 fala exatamente sobre isso: "Sendo fiel ao que o constituiu, como também o foi Moisés em toda a sua casa".

Deus falava boca a boca e face a face com Moisés. Ele havia alcançado uma intimidade sem igual. "E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo..."(Êxodo 33:11a). Era algo sem igual o nível de relacionamento que Moisés tinha com Deus e que ele havia alcançado um grande da parte do Senhor. Deus não precisa usar de enigmas ao falar com Moisés, pois as mensagens vinham a ele muito claras e de fácil compreensão.

Então era muito temerário o que Arão e Miriã haviam feito ao falarem de seu irmão, o que era uma falta de respeito e de gratidão não só a Moisés como a Deus.  Eles haviam agido por impulso e sem temor a Deus. Moisés era um homem reto, de bom testemunho e honrado por Deus. 

Não havia motivos suficientes para derrubar Moisés com acusações, murmurações e inveja e seja lá mais o que estivesse em oculto nesses corações onde só Deus pudesse enxergar. 

A consequência desses fatos foi o desenrolar da ira de Deus e Miriã acabou sendo atingida por uma lepra. Já Arão, provavelmente foi poupado, primeiro, pela misericórdia de Deus, e também por que havia se arrependido e reconhecido a loucura que haviam cometido.


CONCLUSÃO

Para todos aqueles que adoram difamar os verdadeiros servos de Deus sobre quaisquer pretextos, inclusive aqueles com aspecto de falsa moralidade religiosa, fica aqui a lição aos invejosos que não possuem sequer uma vida de comunhão e retidão diante de Deus.

Aquilo que você não entende sobre aquela graça e aquela maneira de Deus trabalhar na vida de seu irmão, não é para ser invejado e sim para ser admirado como exemplo e para trazer glória somente a Deus.

Por outro lado, alguns crentes acham que estão no nível de Moisés, se achando acima dos outros e inatingíveis por qualquer repreensão. Estes se vitimizam ao serem corrigidos, acusando os outros de serem maldizentes tal como foram Arão e Miriã. Usam o exemplo do "ai do que tocar no ungido do Senhor" como desculpa para acobertarem as suas más condutas e pecados. 

O recado para estes é que Deus não vai defender os que são soberbos, antes, vai abatê-los e corrigi-los, se estes forem filhos de Deus, pois se não forem, seguirão sem correção rumo à perdição eterna. "Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos"(Hebreus 12:6-8)

Portanto, com toda seriedade e temor devemos servir a Deus que é nosso defensor, advogado e vingador: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor"(Romanos 12:19).

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